Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público (MP) relata que os ex-presidentes da Câmara Municipal, José Raimundo Gomes Leite, conhecido como “Zé Raimundo do Dertins” (2021-2022), e Jairo Pereira da Silva, o “Irmão Jairo” (2023-2024), teriam recebido, juntos, mais de R$ 166 mil em verbas indenizatórias sem a devida comprovação de despesas. A prática, se confirmada, pode configurar uma grave irregularidade, violando tanto a Constituição Federal quanto as normas internas do legislativo municipal.
De acordo com os detalhes levantados, entre 2021 e 2024, Zé Raimundo teria embolsado R$ 81.596,45 a mais que os outros dez vereadores durante seu mandato como presidente, enquanto Irmão Jairo, ao assumir o comando da Casa no biênio seguinte, teria recebido R$ 85.346,62 extras. Somados, os valores chegam a impressionantes R$ 166.943,07, supostamente utilizados para aumentar seus próprios subsídios sem qualquer justificativa documental, como exigem as resoluções da Câmara.
O Esquema e a Denúncia
A denúncia, feita de forma anônima diretamente à ouvidoria do MP, veio acompanhada de relatórios detalhados que expõem as movimentações financeiras dos dois ex-presidentes. No texto, o denunciante afirma: “Usaram o nome de Verba Indenizatória para acrescentar seus subsídios, sem nenhum comprovante de despesas, como as Resoluções exigem. Acham que a Constituição Federal nas suas limitações não se deve respeitar”. O anônimo ainda solicita que o MP encaminhe o caso ao Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO) e exija esclarecimentos sobre a aprovação das contas, sugerindo uma reavaliação rigorosa.
A origem da denúncia levanta suspeitas de que o vazamento possa ter partido de dentro da própria Câmara. O caso ganhou força após a eleição de Alziro Gomes de Souza Neto como presidente para o biênio 2025/2026, sugerindo que alguém da nova mesa diretora, com acesso aos documentos, possa estar por trás do envio anônimo ao MP. Especula-se que a tática da denúncia sem identificação tenha sido usada para evitar desgaste político com a base do atual prefeito, deixando margem para que opositores sejam responsabilizados no imaginário popular.
Repercussão e Expectativas
A população de Tocantinópolis deve acompanhar o desenrolar da situação com expectativa e indignação. Caso as irregularidades sejam comprovadas, os ex-presidentes podem enfrentar sérias consequências legais, além de colocarem em xeque a credibilidade do legislativo local. Os cidadãos agora aguardam uma resposta firme das autoridades, cobrando providências para que a legalidade e a moralidade administrativa sejam restabelecidas.
O Ministério Público ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas a pressão popular e os documentos apresentados prometem manter o assunto em destaque nos próximos dias. Resta saber se o TCE/TO será acionado e como os ex-presidentes responderão às graves acusações que pairam sobre suas gestões.