Diante de intensa pressão popular e de uma investigação judicial que pode abalar sua gestão, o prefeito de Itaguatins, Vitor da Reis, deu início a uma operação tapa-buracos na cidade.
A medida, que começou a ser implementada recentemente, surge como uma tentativa de aplacar as críticas que vêm crescendo, especialmente nas redes sociais, e de melhorar a imagem de uma administração marcada por denúncias graves, como a suposta compra de votos nas últimas eleições.
A situação do prefeito se complicou ainda mais com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) em andamento, que traz robustas provas de possíveis irregularidades durante o pleito. Apesar de Itaguatins ter recebido generosos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) — um total de R$ 6.582.281,61 até o momento —, a gestão de Vitor da Reis permanecia inerte até recentemente. Amparado por um decreto de calamidade financeira que ele mesmo assinou, o prefeito parecia evitar investimentos significativos na infraestrutura da cidade, o que levantou suspeitas de que os recursos estavam sendo acumulados sem aplicação prática. A pressão da população e da Justiça, no entanto, parece ter forçado uma mudança de postura, levando ao início das obras de reparo nas ruas.
Os aliados do prefeito têm insistido na narrativa de que a atual gestão herdou uma cidade já deteriorada, com ruas esburacadas e problemas estruturais. Contudo, essa justificativa não tem convencido os moradores, que usaram as redes sociais para cobrar ações concretas. Até o início deste mês, a situação era tão crítica que o município enfrentava dificuldades até para realizar a coleta de lixo doméstico, o que resultava na presença de urubus na orla — principal ponto turístico de Itaguatins —, gerando ainda mais insatisfação popular.
Problemas com a Justiça: Denúncias de Compra de Votos
A pressão sobre o prefeito não vem apenas das ruas, mas também do Judiciário. No último dia 14 de março, o juiz eleitoral da 11ª Zona Eleitoral de Itaguatins, Jefferson David Asevedo Ramos, determinou a quebra de sigilo bancário para investigar denúncias de captação ilícita de sufrágio — a chamada "compra de votos". O caso envolve o eleitor Valdiceles Alves Pinheiro, que teria recebido dinheiro e promessas de empregos para si e para sua esposa durante o período eleitoral. Um áudio transcrito nos autos do processo revela a suposta negociação: “Não, não, o meu trato com o Vitor, entendeu? Foi até engraçado, eu dei só o carro só para ele rodar. O mesmo trato que eu fiz com o Janiel era o trato que eu fiz com o Vitor. Só que ele fez a mais do que isso, entendeu?
Ele pagou as parcelas mesmo que estava em atraso do carro. E... alugou o carro também, entendeu? Me contratou também. Aí depois ele falou pra mim que precisa se preocupar não, que ele ia agasaiar o emprego pra muié e ia agasaiar um emprego pra mim". A defesa de Vitor da Reis tentou excluir os áudios do processo, alegando que seriam provas ilícitas, mas o pedido foi rejeitado pelo juiz. Em sua decisão, o magistrado destacou a legitimidade da gravação: "A gravação realizada pela testemunha Valdiceles Alves Pinheiro configura exercício legítimo do direito à prova, não havendo que se falar em ilicitude ou violação à intimidade e à privacidade dos investigados. A prova foi produzida pela própria testemunha, que tinha conhecimento dos fatos e interesse em sua divulgação, não havendo que se falar em clandestinidade ou surpresa". Além disso, o juiz determinou a quebra de sigilo bancário de Valdiceles para verificar a veracidade das transações mencionadas.
Recursos Abundantes, Resultados Escassos
Com mais de R$ 6,5 milhões recebidos dos fundos constitucionais, a prefeitura de Itaguatins tinha condições de realizar melhorias significativas na cidade, mas os resultados até agora foram tímidos. A operação tapa-buracos, embora bem-vinda, é vista por muitos como uma medida paliativa, insuficiente para resolver os problemas crônicos de infraestrutura e saneamento que afetam o município. Enquanto a Justiça avança nas investigações e a população mantém a cobrança, o prefeito Vitor da Reis segue sob o escrutínio público, tentando equilibrar a gestão da cidade e a defesa contra as sérias acusações que enfrenta.
Resta saber se as ações recentes serão suficientes para reverter o desgaste político ou se o desfecho judicial trará ainda mais desafios para sua administração. Por ora, os buracos nas ruas começam a ser tapados, mas os buracos na credibilidade do gestor parecem mais difíceis de reparar.